Desvendando o Estilo Industrial

Uma das bases do estilo industrial é o High Tech, que foi o mais expressivo movimento do chamado do modernismo tardio, acontecido nas últimas décadas do Século XX. Tem um débito real para com as vanguardas do Construtivismo Soviético, para com as fantasias do grupo Archigram e para com o Metabolismo Japonês. Do primeiro herdaram a admiração pela tecnologia, aquela vontade de expor os equipamentos e componentes técnicos do edifício e figurar – às vezes até mesmo fantasiar – técnicas construtivas. Do grupo Archigram assimilaram a visão de um mundo tecnologicamente resolvido e auto-suficiente, retirando porém a visão irônica e bem humorada daquele modelo, e mesmo os traços apocalípticos daquelas fantasias. Do modelo japonês ficaram sobretudo com a intenção de separar o espaço servido das unidades serventes, e também o seu conceito de espaço de eficiência máxima, jamais prejudicado por elementos estruturais ou instalações, flexível e universal, um sucessor hipertrofiado do espaço universal de Mies van der Rohe.

A arquitetura High Tech propõe-se oferecer ao usuário, em vez de espaços tradicionais, passíveis de receber conotações afetivas, espaços de máxima eficiência, jamais perturbados por elementos estruturais ou blocos de circulação e serviços.

Sua poética consiste no uso de figuras e materiais da arquitetura e engenharia industriais em programas comerciais e equipamentos urbanos, expondo os sistemas de instalações técnicas, estrutura, climatização e circulação, os quais colorem com cores fortes e acabamentos metálicos. Este modo de fazer um edifício subverte uma antiga metáfora utilizada na arquitetura, a do antropomorfismo. Diferentemente do homem, cujos sistemas circulatório, respiratório e digestivo são interiores e revestidos de carne, o edifício High Tech tem estes sistemas na periferia, à semelhança de certos animais primitivos.

É, porém, uma retomada de uma outra antiga metáfora das vanguardas, de fazer do edifício uma “máquina de morar”.

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Centro Georges Pompidou – Paris

O primeiro edifício High Tech foi o Centro Georges Pompidou, em Paris, de 1971-77, projetado por Renzo Piano e Richard Rogers. Este último arquiteto, nascido em Florença, de pais ingleses, juntamente com seu meio-compatriota Norman Foster, são os grandes nomes desta tendência. Quando este edifício apareceu, vencedor de um concurso público internacional, primeiro dos grandes equipamentos construídos, na época, em Paris, como a Ópera da Bastilha e a Pirâmide do Louvre, chocou meio mundo com sua agressiva poética intestinista. Mas veio validado por um Juri de alta fidúcia, que contava com o decano Jean Prouvé como presidente, e os célebres Philip Johnson e Oscar Niemeyer.

Os edifícios High Tech primam pela exposição de estruturas e instalações. Alguns, como o Centro Pompidou privilegiam as instalações, colorindo-as com cores planas e primárias. O uso das estruturas tensionadas, como no HKSB e Centro Pompidou é também um dado importante. O aço é sempre bem-vindo como material principal, porém o concreto pode também fazer o seu discurso, como no Lloyd’s. Movimento, jogo de luzes e sombras, alternando com grandes superfícies metálicas, lembrando o drama barroco de fachadas, reeditado no século XX. Mas sobretudo muita racionalidade a serviço da expressão inequívoca do mundo tecnológico. Todas estas feições projetam uma confiança otimista na cultura científica.

O que diferencia o edifício High Tech não é a “alta tecnologia” que utiliza mais do que outros, mas a apologia e o exagero expressionista que faz desta, o fato de ostentaresta tecnologia, e fazer dela o seu discurso principal, muitas vezes fantasioso, sempre extremamente caro, e algumas vezes até prejudicando o desempenho deste sistemas que expõe.

Ainda há o apelo sustentável que esse estilo tem. As tubulações aparentes economizam no tempo de obra (e mão de obra), onde não se gasta com abertura de paredes para colocação dos tubos e não gera mais entulhos.

Vamos as ideias de como traduzir isso em espaços?

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O concreto é uma das bases estéticas do estilo industrial. Aqui as bancadas foram feitas nesse material, e armários e detalhes pretos dão a continuidade. O pendente também é um estilo bem característico de fábricas.

parede concreto

Este efeito de parede de cimento pode ser alcançado com tintas de efeito que são encontradas em diversas marcas como Coral e Suvinil. Elas requerem mais técnicas na execução, mas  vale a pena.

Tubulação aparente

A tubulação aparente facilita muito a reforma elétrica. Não precisa ter quebra-quebra de reforma para ter mais tomadas. Você pode trabalhar com a organização dos canos para que tenham um apelo estético. formar algum desenho ou só manter padrões.

Tubulação aparente e cinza

Se quiser ousar mais, pinte os canos com cores chamativas e faça deles o destaque do seu ambiente.

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Se você tem um pé direito alto em casa, de no mínimo 5,00m, você pode criar um mezanino com estrutura metálica e  ter mais um cômodo. É um grande investimento, mas aumenta a área do seu espaço.

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Se você quer equilibrar o industrial com mais aconchego, usar a madeira é uma boa solução. Aqui os armários são em inox e os tampos em madeira. Também o piso e a viga. O espaço fica com mais cara de casa e não tanto uma ‘máquina de morar’.

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Se você quer um estilo industrial mais metropolitano, aqui vai uma inspiração bem legal. Tijolinho + cimento + armário de metal + grafite.

 

Divisória em Vidro

O vidro também é um dos elementos perfeitos do High Tech. Uma divisória como esta em vidro é interessante para criar um estilo loft.

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A cozinha é um dos ambientes mais fáceis de criar essa estética. Estantes de aço multiuso são fáceis de encontrar e tem preços atrativos(R$ 80 a R$ 400). Chega de ficar entulhando tudo no armário da cozinha. Ache uma estante pra chamar de sua e organize tudo bem ao estilo industrial.

armário de cozinha metálico

Tijolinho ao estilo Subway e armários com portas metálicas é uma ótima combinação, concorda?

A tela de recados também é um DIY que dá pra fazer no proximo final de semana ou feriado.

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Se você quer algo mais divertido e menos parecido com fábricas, aqui dá pra ver que dá certo.

A cadeira Tolix (laranja da foto) é uma das peças mais conhecidas e encontrada em várias lojas.

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Tijolinho + tubulação de ar condicionado+ madeira + tecidos = decor do Pinterest.

 

Já está pensando nas mudanças que vai criar? segue no Intagram e no Facebook para continuar se inspirando.

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